Após comandar o time da SK Gaming ao segundo título de Major, Gabriel Toledo fala ao SporTV.com sobre início da carreira, premiação e os rumos do esporte eletrônico

Quinze mil pessoas em uma Arena com direito a seis telões, camarotes, narradores, comentaristas. No centro, um palco gigantesco, com show de luzes e 10 computadores de última geração. Por trás deles, 10 jogadores – cinco em cada time – lutando pelo título de melhor equipe do mundo de Counter-Strike Global Offensive, um dos games mais populares do crescente mercado de esportes eletrônicos. Em um desses times, cinco jovens brasileiros, liderados Gabriel “FalleN” Toledo – um paulista de 25 anos que trancou a faculdade de engenharia elétrica na Federal do Paraná para se transformar na principal referência do CS:GO e, para muitos, o melhor “in-game leader” do mundo.

– O Gabriel disse pra mim que todo mundo queria fazer uma faculdade porque queria ter uma profissão mas ele já sabia o que queria ser: jogador de CS e aí ele começou a se dedicar – disse Kênia Toledo, mãe do jogador.

Brasileiro Gabriel 'FalleN' Toledo, melhor jogador

Brasileiro Gabriel ‘FalleN’ Toledo, melhor jogador de CS:GO no mundo (Foto: reprodução Facebook)

E foi justamente a liderança  de Gabriel que levou a equipe alemã da SK Gaming, formada, além de ‘FalleN’, por Marcelo ‘coldzera’ David, Fernando ‘Fer’ Alvarenga, Lincoln ‘fnx’ Lau e Epitácio ‘TACO’ de Melo,  junto com o treinador Wilton ‘Zews’ Prado, ao título da ESL One de Colônia, na Alemanha, que rendeu um prêmio de US$ 500 mil.

Foi a segunda conquista de “Major” seguida dos brasileiros, que se destacaram pela Luminosity Gaming no início do ano e foram contratados pelo time alemão – uma das organizações mais tradicionais do E-Sports.

Nos jogos eletrônicos cada jogador tem um “nickname”, apelido que escolhem e são chamados durante as partidas. O nome de FalleN surgiu quando ele ainda tinha 13 anos. Seu irmão Marcelo, jogava um jogo de cartas chamado “Magic” e existia uma carta chamada “Fallen Angel”, Gabriel gostou, tirou o Angel e até hoje usa o Fallen.

INÍCIO TEVE VAQUINHA DOS FÃS 

Gabriel começou a jogar CS em 2003, mas era só um hobby. Disputava campeonatos pequenos no Brasil e a primeira oportunidade surgiu em 2009 em um campeonato na China. E aí a carreira profissional começou. Se juntou a equipe que não tinha recursos para viajar e disputar campeonatos internacionais. Foi quando veio a ideia de pedir ajuda aos fãs. Fizeram uma vaquinha e em cinco dias arrecadaram de 25 a 30 mil reais para viajar e seguir competindo contra os times mais fortes do mundo.

Familiares da equipe SK Gaming comemoram título do CSGO na Alemanha

Familiares da equipe SK Gaming comemoram título do CSGO na Alemanha

Hoje, o time da SK Gaming mora em uma game house, uma casa que tem vários computadores para os jogadores treinarem, em Los Angeles, EUA. E assim viajam o mundo todo disputando os principais campeonatos.

A família de Fallen está sempre presente nos torneios, assim como a família dos outros jogadores. Uma empresa de tecnologia (GA Entretenimento) está sendo criada pela mãe de Gabriel, Kênia, e pelo sócio, Marcelo Freitas. O objetivo da empresa é aproximar o fã do ídolo. É uma espécie de escola na qual as pessoas tem aulas com o Gabriel, não só em português como em 20 idiomas.

– A consequência dessa academia é fazer com que os fãs possam entrar no cenário de competição. Desde do amador até um profissional. Teremos também uma loja virtual que já vende alguns produtos exclusivos do Gabriel. Queremos expandir isso – disse Marcelo, diretor da empresa.

Durante a disputa do ESL One, em Colônia, Gabriel FalleN conversou com a reportagem do SporTV.com sobre a carreira no CS:GO, o sucesso do time brasileiro da SK e o futuro dos esportes eletrônicos. Confira abaixo a íntegra desse papo:

Como é a relação de vocês com o público? Vocês estão sempre online falando com o fãs?

A nossa equipe tem um relação muito próxima com o público. Principalmente com o grupo brasileiro. Para quem conhece um pouquinho da nossa história, nós precisamos da ajuda dos fãs no passado para disputar primeiro qualificatório para o campeonato mundial. Nós não tínhamos recursos para viajar, a organização também não achava interessante nos mandar e foi aí que nós pedimos ajuda para a comunidade fazer uma vaquinha e em em cinco dias conseguimos arrecadar todo o dinheiro. Somos muito gratos a comunidade. Foram eles que nos colocaram aqui. Hoje em dia nos games você pode fazer o seu canal na internet onde o pessoal pode nos ver jogando. Nós gostamos de fazer isso.

A grande estrutura montada em Colônia para a disputa do ESL One no último fim de semana(Foto: Divulgação / ESL)

A grande estrutura montada em Colônia para a disputa do ESL One no último fim de semana(Foto: Divulgação / ESL)

O que fazer com esse prêmio de mais de um milhão de reais?

Por enquanto tenho guardado grana, tento ajudar minha família no que posso, penso mais no futuro. A gente pensa mais nos títulos, a premiação é uma recompensa pelo trabalho. Os planos são de guardar e se estruturar.

Como vocês se cuidam? Como é o “staff” de vocês por trás dos jogos? Vocês tem preparador físico, nutricionista?

Existem algumas equipes que possuem psicólogos e nutricionistas. Nós somos uma equipe mais “hardcore”, vamos dizer assim. Nós não temos nada disso, vamos na raça mesmo. Mas temos muita gente que ajuda, principalmente a nossa família.

Longe do computador você joga o quê?

Longe do computador? Eu jogo computador! Brincadeira. Costumo jogar futebol e basquete. Mas o tempo é curto pois temos que nos dedicar muito aos jogos. Quando tenho oportunidade assisto futebol. Sou palmeirense.

Torcida compara FalleN e Neymar (Foto: Clícia Oliveira)

Torcida compara FalleN e Neymar (Foto: Clícia Oliveira)

A torcida brasileira trouxe uma bandeira com a sua foto e a do Neymar dizendo que você é maior do que ele. Você se compara ao Neymar? Seria o Neymar do CS?

É legal essa comparação, mas como no nosso jogo é um jogo de equipe é difícil ter só uma pessoa para comparar ao Neymar. Aqui somos cinco, não tem espaço para esse tipo de vaidade.

Você tem noção do que representa para o público jovem?

Tenho sim. Aqui nessa Arena tem 14 mil pessoas e mais de 600 mil pessoas assistindo simultaneamente. Mas a gente começa a ter noção mesmo quando sai na rua, que o pessoal para para falar. Fico muito orgulhoso de saber que a galera acompanha o meu trabalho.

Os jogos eletrônicos são violentos?

Essa visão é bobeira. No mundo todo nós temos coisas condicionadas para o bem e para o mal. Pensa no avião, por exemplo. Ele leva todo mundo para viajar para o mundo todo mas tem gente que usa para jogar bombas em alguns lugares. Os games tem esse lado de eliminar o seu oponente e algumas pessoas enxergam como violência mas tem o lado muito mais bonito, que é você ter que fazer amigos, ter inteligência emocional, se relacionar com as pessoas. Tem muito mais coisa positiva no jogo do que atirar ou não. Isso fica só como um detalhe.

É verdade que existe o interesse do Bayer de Munique em comprar a equipe de vocês?

Essa foi uma especulação, que as equipes de futebol estão tentando entrar. Mas isso vai acabar acontecendo. Tem muito público, então acaba tendo interesse das organizações que já existem. A gente sabe que o Schalke 04 da Alemanha também já pegou um time de League of Legends. Nós conversamos com o pessoal dos outros times e realmente existem conversas do Bayern de Munique mas não é nada em estado avançado, por enquanto para gente é só boato.

Primeira da esquerda, 'Fallen' e equipe brasileira SKGamin campeã em Colônia (Foto: Clícia Oliveira)

Primeira da esquerda, ‘Fallen’ e equipe brasileira SKGamin campeã em Colônia (Foto: Clícia Oliveira)

Fonte: Acesse o site da SporTV

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