CS:GO | “Brasil vive seu maior momento no jogo”, diz FalleN, capitão da SK Gaming

Brasileiro lidera a equipe bicampeã mundial e diz que o próximo passo é “vencer tudo” em 2017

Bicampeã mundial de Counter-Strike: Global Offensive, a equipe SK Gaming, inteiramente composta por brasileiros, tem como objetivo dominar o cenário competitivo do jogo em 2017. É o que diz o capitão Gabriel “FalleN” Toledo.

FalleN esteve em São Paulo no último sábado, onde realizou um evento para fãs na Mega Arena X5 que incluiu sessão de autógrafos, fotos, e perguntas e respostas. Lá, o capitão afirmou que o Brasil vive seu maior momento no jogo, e também falou sobre o momento atual da SK, a própria carreira, e deu conselhos para quem almeja jogar profissionalmente. Confira:

Essa jornada de vocês tem sido insana. Dois campeonatos mundiais, jogando pela SK. Você se sente profissionalmente realizado ou tem mais objetivos?

O objetivo é continuar no topo. Sinto-me realizado porque foi difícil chegar aqui. Conseguir o campeonato mundial sempre foi nosso objetivo, não só meu, como para todos do time. Agora, a pegada é outra: manter-se no tipo, e isso é tão difícil quanto chegar lá. Vamos trabalhar duro com a mesma mentalidade, vamos corrigir nossos erros, passar por cima de cada adversidade e ter pensamento positivo.

Qual você diria que é a principal lição que você aprendeu com sua carreira de CS?

A principal lição é que as coisas nunca vêm fáceis. Nada muito grandioso vem de maneira fácil. Você tem que lutar muito, e com a gente não foi diferente. Tivemos que passar por muita coisa dura para atingir nossos objetivos e realizar nossos sonhos.

Como é voltar para o Brasil depois de tudo que vocês passaram nos últimos meses?

É muito legal. Temos saudade da família. Apesar de sermos uma família lá fora, ficamos muito longe, deixamos namorada, pais, irmãos, todo mundo aqui no Brasil. Também é bom sentir um pouco do calor brasileiro. É um povo diferenciado. Temos muitos fãs, pessoas que gostam da gente, e esse evento é prova de que queremos estar perto dos caras, retribuir o carinho deles torcendo, assistindo jogos em stream, lamentando quando perdemos. É muito bom estar aqui de novo.

É interessante ver vocês conseguindo esse sucesso no CS, um jogo com sangue brasileiro, no momento em que eSports alcançam a mainstream aqui. Você sente algum tipo de responsabilidade por estar empurrando o cenário pra frente?

Acho que você tem responsabilidade em tudo que faz na vida. Nossa responsabilidade é passar a mensagem correta, de como realmente aconteceram as coisas com a gente. É ser uma pessoa correta, influenciar bem a molecada. Tem muitos jovens assistindo, querendo estar onde estamos, chegar lá no futuro. Eles vão ter essa oportunidade. A gente trabalha e tenta ser responsável para não influenciá-los de maneira negativa.

E como você avalia o cenário brasileiro de eSports, ou mais especificamente CS? O que precisa melhorar?

Acho que vive o seu melhor momento. Nunca tivemos um time brasileiro consolidado no topo por tanto tempo como estamos agora. 2016 foi o ano do Brasil no CS pelo mundo. Foi um ano muito legal. Acho que estamos vivendo um bom momento. Precisamos trazer alguns investimentos para o país, mas isso leva um pouco mais tempo. Tudo no Brasil leva mais tempo em relação aos outros lugares, infelizmente. Então, a gente trabalha para mudar um pouco essa realidade, e quem sabe não estaremos aqui em breve, competindo em casa.

E como time, qual o próximo passo para a SK Gaming continuar no topo do ranking?

O próximo passo é dominar 2017. Vencemos dois majors este ano, os campeonatos mais importantes, e o trabalho é repetir isso ano que vem. Vai ser difícil, pois as equipes estão cada vez mais atentas ao nosso jogo. A gente precisa continuar inovando e treinando muito.

Quando vocês jogam, há uma estratégia mas a gente sente um jogo muito alegre, solto, vocês puxam duas AWPs as vezes. Esse é um estilo que vocês gostam de ter? Um jogo, digamos, mais brasileiro, de rua, moleque?

Somos um time muito estruturado, mas com muita liberdade. Conseguimos encontrar um ponto em que os jogadores sabem o que deve ser feito e sabem como reagir, conforme as coisas vão acontecendo. Então, num round solto, por exemplo, o time tem ideia do que vai fazer e como reagir a cada situação. Conseguimos maximizar a tomada de decisões ao mesmo tempo em que há liberdade para o jogador ter a sua individualidade. Assim, a gente aproveita ao máximo o potencial individual que cada um tem no time.

Vocês vão ficar sem o Fer por um tempo agora. Como vai ser essa adaptação de jogar sem ele?

O Showtime é um grande jogador, mas não é o Fernando, e digo isso por característica de jogo – acho que os dois tem um nível altíssimo. O Fernando avança muito, busca o jogo a todo instante, dá dinamismo e cria oportunidades que na equipe aproveitamos bem. Com o Showtime, precisaremos explorar seus pontos fortes, então vai ter uma adaptação nessa etapa online até o Fer voltar. Não vamos fugir da característica da nossa equipe. Vamos adaptar o Showtime e manter o time do jeito que funciona com o Fernando para que, quando ele volte, estejamos bem.

O próximo torneio presencial de vocês é o ESL One Nova York. Qual o principal desafio da SK lá?

O desafio é vencer. Ficar no topo. Vamos para vencer o campeonato. O desafio vai ser o pouco tempo de treino com o Fer, devemos ter uns dez dias para treinar com ele. a ideia é treinar o dobro para compensar sua ausência.

Está animado com a chance de vir jogar aqui em outubro na final da Pro League da ESL?

Muito animado. Esse evento vai ajudar a motivar outras pessoas a jogar. Vai ser um super evento, ver esse lado do eSport aqui no Brasil. O pessoal que gosta de CS vai ser premiado com todos os jogadores do mundo que eles gostam no nosso país. Espero que a gente faça uma grande festa e mostre que o Brasil merece mais eventos desse porte.

E finalmente, o que você diria para alguém que joga CS nas lan-houses e tá vendo a SK jogar, e quer chegar no nível de vocês?

O caminho é longo. Tem que encarar como hobby o começo, e tem que se divertir jogando. Não adianta colocar na cabeça “nossa, preciso ser profissional”. Não é assim que funciona. Tem que passar por etapas, começar com times pequenos, jogar campeonatos e curtir o momento. O CS é legal em todas as esferas: pra quem joga for fun é legal, competir nos níveis mais baixos é legal, pra gente competindo em alto nível é legal. Todo mundo que joga CS pode se divertir. Busque isso, seja moderado, não deixe de fazer outras coisas na vida só pra jogar, porque isso nunca é saudável. Trate como hobby, e como algo que pode te dar um futuro, pois se você tiver talento e dedicação o suficiente, você pode chegar lá.

Fonte: Acesse o site do Omelete

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